Psicanálise

Psicanálise e a resistência do bem

De 15/10/2016 fevereiro 18th, 2020

Resistência do bem

resistencia do bem psicanalistaO termo “resistência” é tudo o que se opõe ao acesso do analisando ao inconsciente, criando obstáculos e dificultando assim a atuação do analista.

A finalidade da psicanálise é desmontar as resistências inconscientes que não permitem a passagem dos conteúdos inconscientes para a consciência, promovendo assim o autoconhecimento, que ajuda a lidar com o sofrimento, superando dificuldades e conflitos.

A psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana independente da Psicologia, embora derivada desta.

Freud propôs este método para a compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente, abrangendo três áreas:

1. Um método de investigação da mente e seu funcionamento;
2. Um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano;
3. Um método de tratamento psicoterapêutico.

O inconsciente (conjunto de fatos e processos psíquicos de natureza praticamente insondável) pode revelar verdades sobre nós que não queremos aceitar, ai vem o medo de experimentar a angústia, a decepção, por isso tanta resistência em colocar para fora tudo aquilo que nos atrapalha de seguir em frente de uma maneira saudável.

Alguns aspectos de uma resistência podem ser conscientes e outra parte fundamental é realizada pelo ego inconsciente.

É na fala do analisando, em seu discurso, que o analista tem acesso às formações do inconsciente. Neste sentido, tudo aquilo que atrapalha e impede este discurso é tido como resistência, pois Freud logo se deu conta de que poderosas forças inconscientes se organizam no analisando, impedindo ou dificultando o desdobrar de seu discurso.

“Não se deve supor que essas correções nos proporcionem um levantamento completo de todas as espécies de resistência encontradas na análise. A investigação posterior do assunto revela que o analista tem de combater nada menos que cinco espécies de resistência, que emanam de três direções — o ego, o id e o superego”. (Freud, 1926)

Tipos de Resistência

resistencia do bem psicanalista1. Do ego – O ego é a fonte de três, cada uma diferindo em sua natureza dinâmica. São elas: a resistência da repressão, a resistência da transferência – que estabelece uma relação com a situação analítica, reanimando assim uma repressão que deve somente ser relembrada – e a resistência originada do “ganho proveniente da doença” baseada numa “assimilação do sintoma no ego”.

1.1 Resistência da Repressão – Entendida como sendo a necessidade do paciente de defender-se contra impulsos, recordações e sentimentos que, ao tornar-se consciente trariam sofrimentos. Essa resistência representa um reflexo do chamado ganho primário da doença neurótica, tendo em vista que os sintomas neuróticos podem ser considerados como recursos de autoproteção.

1.2 Resistência da Transferência – Essencialmente semelhante à resistência da repressão, possui a especial qualidade de, ao mesmo tempo em que a exprime, também refletir a luta contra impulsos infantis que, sob forma direta ou modificada, emergiram em relação à pessoa do analista.

Em “A dinâmica da transferência”, Freud a descreve como um obstáculo ao trabalho de rememoração, pois o paciente faz uma falsa conexão e na sequência associativa, justamente aquela associação mais reprimida aparece como transferida para o analista, como que desconectada com a cadeia a que pertence. Aparece como algo atualizado, atuado com a pessoa do analista. É considerada a resistência que traz maiores obstáculos ao tratamento psicanalítico.

1.3 De ganho secundário – Esses ganhos secundários oriundos dos sintomas são bem conhecidos sob a forma de vantagens e gratificações obtidas da condição de estar doente e de ser cuidado ou ser objeto do compadecimento dos outros, ou sob a forma de gratificação de impulsos agressivos vingativos para com aqueles que são obrigados a compartilhar o sofrimento do paciente.  Outra forma de ganho secundário pode ser de tendências masoquistas ocultas.

2. Do Id – Resistência que necessita de elaboração. Provém da compulsão a repetição e possui uma tendência a manipular os impulsos instintuais contra o desligamento dos seus objetos anteriores e suas formas de descarga.

3. Do Superego – resistência enraizada no sentimento de culpa do paciente ou na sua necessidade de punição. Freud considerava a “resistência do superego” como sendo a mais difícil de o analista discernir e abordar.

Ela reflete a ação de um “sentimento inconsciente de culpa” e é responsável pela reação aparentemente contrária do paciente a todo passo que, no trabalho analítico, representa a materialização de um ou outro impulso de que vão se defendendo pressionados pela sua consciência moral.

Os fenômenos da resistência são considerados mecanismos de defesa do paciente e não apenas mecanismos da repressão. Esses mecanismos são postos em ação nas situações de perigo, principalmente aquelas que aparecem quando os desejos sexuais ou agressivos tentam expressar-se livremente na consciência ou no comportamento.

Campo de Ação do Psicanalista

resistencia do bem psicanalistaO campo de ação do psicanalista consiste em descobrir como o paciente resiste e a que ele está resistindo. O analista deve usar o método necessário para fazer com que o analisando se sinta a vontade para trazer a tona tudo o que lhe faz sofrer, sejam coisas boas ou más.

A atuação do psicanalista deve se basear em princípios éticos definidos e claros.

“Na época em que Freud se tornou médico, dois papéis haviam sido estabelecidos para o psiquiatra e são ainda hoje grandemente aceitos: um é o de agente da sociedade: o psiquiatra do hospital do Estado, embora pareça estar cuidando do paciente, está realmente protegendo a sociedade dos atos do paciente.

O outro é o papel de agente de todos e de ninguém: árbitro dos conflitos entre o paciente e a família, entre o paciente e o empregador, e assim por diante: a lealdade desse tipo de psiquiatra é dada aquele que o paga. Freud recusou-se a desempenhar qualquer desses dois papéis. Ao invés disso, criou um novo – o de agente do paciente. Em minha opinião, essa foi a sua maior contribuição para a psiquiatria (Thomas Szazs).”

 

Fernanda Freitas
Psicanalista Clínica e Grafóloga
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